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O sabor do som: o presente de Ed Motta para o Sakagura A1

O primeiro encontro entre o cantor e compositor Ed Motta e o chef Shin Koike aconteceu em 2011, no processo de produção do livro “A Cor do Sabor: a Culinária Afetiva de Shin Koike” (Jo Takahashi, editora Melhoramentos).  O encontro foi marcado no balcão do restaurante Aizomê, em São Paulo, onde na época o chef Shin Koike atendia.

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Apesar de ser a primeira vez, o encontro transcorreu solto, livre e leve. O chef Shin apresentando o cardápio que havia elaborado especialmente para o seu ídolo, e  Ed comentando sobre o fascínio que ele tem sobre a culinária japonesa, e pasmem, música japonesa!  Foram quase três horas de luxo, que só foi interrompido pelo produtor de Ed, chamando-o para o ensaio do show que ele daria naquela noite. E não só rendeu um capítulo inteiro no livro, mas também uma amizade entre o cantor e o chef que continua intensa. Toda vez que Ed desembarca em São Paulo, não perde tempo em reservar uma horinha de sua agenda para dar uma passada no Sakagura A1, aonde o chef Shin Koike se encontra mais presente ultimamente. E para celebrar esta amizade, Ed Motta presenteou a casa com um jogo de doze Cds, com músicas extraídas de seu rico acervo particular de discos. A seleção contemplou jazz, soul music e muita groove de artistas e bandas do Japão. Uma coleção que só Ed possui, garimpado por décadas em lojas especializadas. Veja como é composta essa coleção, no texto abaixo, retirado do capítulo A Cor do Som, do livro A Cor do Sabor.

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A Cor do Som

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Foto; Tatewaki Nio, para o livro A Cor do Sabor: A Culinária Afetiva de Shin Koike, editora Melhoramentos.

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Ed Motta é um colosso. E não estamos nos referindo especificamente ao seu inconfundível corpanzil. Ele é uma enciclopédia ambulante de música, um dos maiores repertórios de conhecimento musical de que se tem notícia. Conversar com Ed equivale a praticamente uma aula magna de música. Mas falando sobre a sua música em particular,  o swing  de suas composições pegou o chef Shin Koike de jeito. “Sofisticado, urbano, híbrido, como a minha comida gostaria de ser”, resume Shin, que se encantou com a música brasileira logo que chegou ao Brasil. “Gosto daquele território que fica entre o mellow jazz e a bossa nova”, sem dar os nomes de seus compositores preferidos. Mas é certo que Ed Motta é um deles e foi com surpresa que soubemos que a recíproca é verdadeira. Quando convidamos Ed Motta para um almoço bate papo, ele concordou na hora. “Conheço o Aizomê e sempre quis conhecer o chef Shin Koike”, exaltou-se ao telefone. Ficamos de marcar uma data. Mas Ed não quis esperar. Dirigiu-se, sozinho, ao Aizomê naquele momento. Uma pena. Era domingo, e o restaurante estava fechado. Ficamos mesmo de marcar uma outra data.

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Essa data não tardou. Foi numa tarde ensolarada de novembro e Ed Motta havia escapado de uma passagem de som para vir ao encontro de Shin Koike.

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O primeiro encontro. Foto: Tatewaki Nio, especial para o livro A Cor do Sabor.

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A conversa não poderia começar de outro jeito. Discos de vinil. São a paixão de Ed Motta. Seu acervo conta com aproximadamente 20 mil discos, arrematados em diversos países. “Tem vinil em todos os cantos de minha casa: na sala, na cozinha, no banheiro”, orgulha-se o colecionador. “Minha coleção é formada basicamente de LPs, mas tenho também os de 10 polegadas”. E de onde vêm esses discos em formato tão raro? “Tem um cara especializado, em Fukuoka, lá no sul do Japão, que tem um incrível acervo de LPs e discos de 10 polegadas, e é ele que manda para mim”. Na loja dele tem uma foto de Ed Motta na parede, não como cantor pop star, mas como o melhor freguês da loja.  “Nunca vi o dono da loja na minha vida, mas só dele já comprei 4 mil discos!”. Mundo estranho esse.

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“E aquela história de que você estava procurando um disco no Japão, e a loja estava tocando uma música sua?”, cutucamos.

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“É verdade. O cara se assustou quando me viu. Ele fechou a loja para não atender mais ninguém”.

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“Não estava combinado, não é?”

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“Nada, nada”.

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Ed estava parado no meio da rua, periferia de Osaka, perdido. Ninguém sabia onde ficava esse sebo de discos e Ed já conformado, pensava em retornar para o hotel. Antes, teve a ideia de fazer um lanchinho por lá mesmo.  Macarrão frito com ovo frito por cima. “Uns 5 reais, baratíssimo”. Foi nesse boteco que ele perguntou mais uma vez por essa loja. Um dos frequentadores entendeu. “Gosta de jazz?”, perguntou o homem. “Sim!”. O homem consultou seu celular e disse: “Eu tenho ainda 40 minutos de almoço, eu posso levar você até lá”. Caminharam, caminharam, por ruelas sem placas. Ed até começou a ficar preocupado que ele estava sendo sequestrado. “Comecei a imaginar coisas: estrelas ninja estocadas na minha nuca”. Já imaginou? Mas o sebo estava lá, e para a surpresa de Ed, tocando uma faixa de um disco dele. “O dono me olhou assustado, correu para a entrada da loja, desceu a porta e disse: vamos tomar saquê!”.

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Chef Shin Koike se diverte com esta história. Ed parecia com fome e dispara: “não vem combinado de salmão, não é?”.

Pode ficar tranquilo. O chef Shin preparou uma refeição especial para o Ed.

O primeiro prato era um siri mole. A primeira surpresa. Ed Motta nunca tinha visto aquilo.

“Onde é que se encontra isso?”

“É segredo, porque está em extinção”, despista o chef Shin.

 

Chega um prato um tanto trivial: nabo cozido com shoyu. Mas evidente não é só. Há um caldo que dá toda a densidade a um simples nabo, preparado com esmero por Shin. O caldo leva raspas de peixe bonito seco e alga kombu, para dar aquela densidade umami, que é mais potencializado ainda com o nabo cozido em baixa temperatura. “No Rio não tem nabo…”, diz Ed em tom de desapontamento. E era bom quando o Jun Sakamoto estava lá no Sushi Leblon, por volta de 1994. “Ele tinha 20 e tantos anos, então”.

E por falar nisso, Ed se lembrou do mestre que ensinou a Jun Sakamoto os segredos do sushi:  o lendário e personalíssimo Takatomo Hachinohe, sushiman e proprietário do Komazushi (aberto em 1969, encerrando suas atividades em 2002 após falecimento do mestre). “Foi o Hachinohe que me ensinou a comer sushi corretamente”, confessa Ed. E como é “comer corretamente”? Não banhar o sushi no molho de shoyu, para começar. Molhar somente o lado do peixe. Pegar o sushi com a mão, com os três dedos. “Mas ele tinha fama de ranzinza”, provocamos a conversa. “Comigo ele sempre foi muito simpático”. Ed credita essa aceitação à sua humildade. “Eu sempre respeito os mestres, não acho graça em inventar sobre uma coisa já foi criada e pensada”. E por falar em mestres, Ed pergunta se alguém já provou o Sukiyabashi Jiro, perto do Mercado de Tsukiji, em Tokyo. Este que até virou filme, depois que recebeu três estrelas do Guia Michelin. Não, infelizmente, não tivemos ainda o prazer para tanto.

Foto: Tatewaki Nio

E começamos a falar de música. Hoje o tema era jazz e pop japonês.

“Kikuchi Masafumi, Hino Terumasa… “ Mas você fala como os japoneses: sobrenome e nome. “Sim, porque quando eu perguntava sobre Terumasa Hino ninguém entendia”. Faz sentido. E Ed sabe de tudo. Achávamos que Hino Terumasa vivia em Nova York. “Não, ele está lá em Tokyo. E o filho dele arrebenta no Japão”. Provavelmente, os conhecimentos sobre música japonesa de Ed Motta são maiores do que a média dos japoneses. 

“Sadao Watanabe tocava como John Coltrane e eu gostava”, prossegue Ed. “Ele foi um dos primeiros músicos estrangeiros a gravar com músico brasileiro”. Que pérola essa informação. “É um disco que tem o Monumento das Bandeiras, em São Paulo, na capa”. “1966: Sadao Watanabe, Hermeto Pascoal…”. A memória, além de musical, é fotográfica!

“Mas adoro pop também. Naoya Matsuoka, por exemplo!” A pegada pop instrumental da época em que Shin Koike começava a cozinhar profissionalmente, no Japão.

“Taeko Ohnuki. Ela não é muito conhecida. Não é popular. Mas é muito boa”. Fomos verificar. Suas colaborações com Ryuichi Sakamoto são sublimes.

“E aquele cantor, o Kozaka Chu. Ele canta tremulando, uma loucura…Bom pra caramba. O David Bowie fica imitando isso, tremulando”.

“O Jacques Morelenbaum me convidou para participar do CD Casa, com Ryuichi Sakamoto”. É verdade, Ed canta com Paula Morelenbaum a faixa “Imagina” de Tom Jobim. Shin Koike considera este o melhor CD que ele tem. E arremata: “A música brasileira me enfeitiçou e me prendeu por aqui”.

“Infelizmente, não conheci o Saka (Ryuichi Sakamoto). Eu só gravei”. E a Paula? “É a melhor voz para as músicas de Tom Jobim. Aquela voz aveludada dela, é o máximo”, entusiasma-se Ed. Mas o dueto com Paula é para ficar registrado na história, de tão lindo.

“Mas sabe qual é o meu sonho?”. Ed até levanta o corpo para revelar. “É gravar um disco com músicos japoneses. Eu escalaria o Fumio Itabashi no piano, Takeo Moriyama na bateria, Isao Suzuki no baixo.” E acrescenta: “O Hozan Yamamoto, no shakuhachi (flauta de bambu)”. 

A lista de Ed parece não ter fim. “Masabumi Kikuchi, o piano dele é fantástico. Tem um disco dele com o shakuhachi de Hozan Yamamoto, que é um negócio”. Fomos pesquisar. É um disco dedicado ao jardim Ryoanji, que fica em Kyoto. Um jardim de pedras que tem uma beleza metafísica. E a música  deles também.

“E o que dizer de Yosuke Yamashita? Ele é um gênio”. Sim, ele se apresentou aqui no Brasil, nos anos 80. Foi um sucesso. Era conhecido como um pianista radical, tocava até com os cotovelos. Mas ultimamente converteu-se a um jazz piano mais suave, até buscando o básico do básico.

Yosuke Yamashita se apresentou no Brasil nos anos 90, com um percussionista de taiko (tambor japonês) chamado Eitetsu Hayashi. Vieram junto alguns músicos de jazz, como Shigeharu Mukai. Ed Motta se espantou. “Mukai? Ele é o melhor trombonista do mundo !! Tenho todos os discos dele!!!”. Impressionante este Ed.

Nisso veio um arenque cozido fantástico, servido com suas ovas. Ed se divertiu com o estalar das ovas. Muito musical, por sinal.

“Shigeharu Mukai, Masahiko Togashi, Toku, Maaya Sakamoto, Mizuhashi  Takashi, Hideo Shiraki, George Otsuka Trio…” A lista de Ed Motta parece não ter fim. Mas por que essa curiosidade sobre jazz japonês? “Curiosidade, não. É fato. O Japão é o país onde se toca o melhor jazz do mundo”.

E a Momoe Yamaguchi, a cantora pop? “Pois é, ela teve fases horríveis, parecia cantora de karaokê. Mas com “Dancing Starshine” ela provou ser uma ótima cantora”.

Shin serviu uma sequência de ótimos sushis. Mas Ed Motta focou no uni (ouriço-do-mar) fresquíssimo, servido sobre uma fatia de limão, e polvilhado com flor-de-sal.

“Adoro uni. No Japão levava caixinhas de uni para ficar comendo no quarto do hotel”. Jin Nakahara, produtor musical em Tokyo e um dos maiores conhecedores de música brasileira no Japão, disse que provavelmente Ed Motta é o maior comedor de uni que ele conhece.

“A propósito, quantos discos de música japonesa você tem, Ed?”, perguntou curiosamente o chef Shin Koike. “Tenho cerca de cinco mil só de música japonesa!” orgulha-se Ed. Ninguém no Brasil deve ter tanto. Aliás, ninguém no Japão deve ter tudo isso, pelo menos em casas.

O celular tocou. Era o produtor de Ed Motta chamando. “Pena que tem o show daqui a pouco, senão eu ficava a tarde toda aqui”. Nós também, Ed !!

 

E esta é a coleção de CDs especialmente gravados por Ed Motta para o chef Shin Koike deixar rolando no Sakagura A1 para dar uma ambientação musical.

CD Edição Exclusiva assinada por Ed Motta, especialmente para o Sakagura A1 Foto: Jojoscope

 

Ouça aqui algumas pérolas selecionadas por Ed e que você pode ouvir também lá no Sakagura A1.

 

Hino Terumasa, Stardust

Matsuoka Naoya, Monologue

E este piano fantástico de Masabumi Kikuchi (esta faixa só para entendidos)

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3 Responses to O sabor do som: o presente de Ed Motta para o Sakagura A1

  1. Marcelo Donati disse:

    Olá, sou um dos donos do Bloptical – Ed Motta Fan Club.
    Posso repostar o texto extraído do seu livro para colocar no nosso blog? Tudo devidamente creditado a você logicamente!
    Parabéns pela matéria!
    ed-motta.blogspot.com

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