23
fev 12

Escultura do Inconsciente, exposição de Tatewaki Nio

Escultura do Insconsciente: Exposição vai até o dia 25 de Março.

Exposição que terminaria amanhã prossegue por mais um mês. Ótima oportunidade para conferir o belíssimo trabalho do fotógrafo Tatewaki Nio,  selecionado pelo Prêmio Funarte 2011. Nio expôs recentemente no Centro Cultural São Paulo, com o título “Metabolismo Urbano”, integrando a 3ª. Mostra do Programa de Exposições 2011. Veja aqui sobre esta exposição.

Escultura do Inconsciente

Mostra reúne parte do acervo fotográfico do artista visual Tatewaki Nio, que selecionou, para esta exposição, 24 fotos registradas a partir de 2006 sobre o cenário arquitetônico da cidade de São Paulo. “Escultura do Inconsciente” exibe edifícios abandonados e restos de demolição que, ao mesmo tempo em que provocam o senso estético e o questionamento social do espectador, sob o olhar fotográfico de Nio se transformam em “esculturas monumentais”. O projeto começou em 2006 e agrega, hoje, um total de 45 imagens.

 

Veja aqui, uma crítica que foi publicada no blog Centro Avante, da Revista Época São Paulo, escrita pelo jornalista Eduardo Duarte Zanelato.

Um interessante olhar japonês sobre São Paulo

O olhar estrangeiro sobre uma determinada região revela ângulos novos, por vezes surpreendentes, daquilo que moradores locais ou frequentadores assíduos já estão cansados de ver. Pois é esta a conclusão que pude tirar ao visitar a exposição “Escultura do Inconsciente”, em cartaz no Complexo Cultural da Funarte, no Centro. A mostra reúne cerca de 20 fotos do japonês Tatewaki Nio, radicado há 14 anos em São Paulo, sobre a estética da transformação urbana da cidade.

Nos retratos, pode-se ver casas em demolição para dar espaço a prédios; prédios pequenos prestes a ruir para dar lugar a um novo arranha-céu espelhado – e uma espetacular vista da Ponte Estaiada a partir do entulho da favela vizinha à mega-obra, demolida tão logo a ponte foi inaugurada. Prédios depredados do Centro, em meio a edificações centenárias e belíssimas, também aparecem na exposição. Mais do que criticar a ganância do mercado imobiliário ou a obtusa lógica da especulação, Tatewaki afirma querer apenas fazer o registro histórico deste momento da cidade. “Esse trabalho respeita a função da fotografia de registrar coisas que vão sumindo à nossa frente”, diz.

 

O japonês, que atua por aqui como correspondente de uma revista cultural de seu país, acredita também que o trabalho o faz sentir pertencente à cidade. “Sou estrangeiro, não tenho direitos políticos, não voto”, afirma Tatewaki. “Me sinto cada vez mais paulistano e queria fotografar algo que representasse a cidade.” Ele não só consegue fazê-lo, como lança um olhar especialmente belo sobre São Paulo, suas ruínas e seus espigões. Merece destaque a luz das imagens de Nio, resultado de sessões de fotos feitas no alvorecer. De certa forma, essa luz de início do dia dialoga com o renascimento de uma nova São Paulo, ao avançar das demolições e reconstruções de seus arranha-céus.

Fotos: Tatewaki Nio

A dinâmica da cidade estimulou o artista a continuar fotografando São Paulo. Depois de definir as imagens da exposição, ele seguiu fotografando a cidade – e o faz até hoje. “Não quero por um ponto final, até porque a transformação da cidade continua”, diz ele. Se há uma boa notícia em meio a tanto entulho, é a de que há gente como Nio conseguindo extrair poesia (e belas imagens) da concreta e cinzenta transformação paulistana.

Serviço

Escultura do Inconsciente, de Tatewaki Nio. Complexo Cultural Funarte São Paulo – Galeria Mario Schenberg. Al. Nothmann, 1058, Campos Elíseos, tel. 3662-5177. Todos os dias, 14h/22h. Até 25/3. Grátis.

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  • aria